Ligação e Potencialidades das novas tecnologias para uma melhor cidadania
O
conceito de cidadania, hoje em dia, não é apenas o sentimento de pertença a uma
comunidade, em que existe um conjunto de direitos e deveres, mas sim a
participação do cidadão num conjunto de práticas e competências individuais.
Neste sentido, este conceito aparece na combinação de três fatores: pertença a
uma comunidade política e democrática, um conjunto de direitos e deveres
associados a essa pertença e a participação nos processos políticos, económicos
e sociais dessa comunidade. (Lopes, 2015, p.548). Face a este contexto e
olhando em nosso redor, verificamos diariamente, que o sentimento de pertença
cada vez se desenvolve menos, que a generalidade das pessoas reclama os seus
direitos esquecendo-se que também tem deveres e quanto à participação cada vez
menos as pessoas exercem esse seu direito, optando apenas por criticar. Assim,
a pertença, os direitos e deveres e a participação, fazem parte de um todo em
que, o egoísmo individual tenta diariamente colocar em causa.
Quando
falamos de tecnologias existe sempre a necessidade de abordar os conceitos de
transformação e modernidade. Podem surgir novos modelos de aprendizagem influenciados
pela tecnologia, como por exemplo a utilização das TIC (Tecnologias da
informação e comunicação) em sala de aula, com recurso a: entre outros,
programas, aplicações ou até a internet (web, chats, vídeo, fóruns, etc.). Cada
vez mais as TIC têm uma presença notória na sala de aula, o que possibilita uma
aprendizagem mais interativa e o desenvolvimento, por parte dos alunos, de
valores essenciais, como a autonomia e a criatividade. Estas novas tecnologias
e os seus recursos não podem ser indiferentes ao professor, pois cabe a este
introduzi-las e motivar os alunos a explorá-las. (Lima,
? , pg. 1) Por exemplo um professor que não conheça as novas tecnologias, nunca
irá explorá-las com os seus alunos, por muito interesse que estes demostrem.
Em
2011 em Portugal, 5,1% da população, segundo os sensos, foi registada como
analfabeta. Analfabetismo é a ausência da aprendizagem da leitura e da escrita.
Nos países com escolaridade obrigatória, há uma menor taxa de analfabetismo.
Alfabetização e literacia estão relacionados, mas nem sempre coexistem, por
exemplo uma pessoa que não saiba ler, pode olhar para uma imagem com legenda e apesar
de não conseguir ler a legenda, consegue, a partir da observação da imagem,
compreender o que esta transmite, ou seja, neste caso não há alfabetização, mas
há literacia. O mesmo pode acontecer ao contrário, existir alfabetização e não
existir literacia como por exemplo, uma pessoa ler um texto e não conseguir
entender o decifra-lo.
Segundo
Fernanda Botelho (2006), deve haver um alargamento do conceito de literacia,
pois esta foca-se muito na escrita. Para termos uma pequena noção, apenas
algumas centenas entre cinco a seis mil línguas faladas no mundo possuem
representação escrita, o que demostra a necessidade da introdução de uma nova
literacia para além da tradicional. Assim surgem outros tipos de literacia,
como por exemplo a literacia mediática que sugere novas representações da
linguagem verbal, tais como: imagens, sons, música, entre outros.
As multiliteracias permitem uma aprendizagem flexível das línguas,
baseando-se não só nas culturas e regiões, mas também nas modalidades
comunicativas da fala, gestos, textos, imagens, etc..
No texto: “Significados Scripto-Visuais nos
jornais e implicações didáticas” (2013), os autores Rui Lopes, Fernando
Rodrigues, Marta Graça e António Pedro Marques realizaram um estudo de natureza
qualitativa em que analisaram a relação texto-imagem e a influência que esta
pode ter, a partir da observação da primeira página de seis jornais diários e
dois jornais semanários (disponíveis na internet).
Escolheram a primeira página sendo esta a que é por norma analisada com maior atenção
pois possui interesses por parte dos leitores e é destinada a um determinado público-alvo
(tendo em conta o seu nível de literacia). Após terem analisado o objeto de
estudo, identificaram e organizaram algumas caraterísticas presentes, tais
como: a estrutura gráfica, o tipo de orientação, o formato e cor da mancha, número
de cores, público-alvo, periodicidade, didático, tipos de fontes (no titulo, na
manchete e nos destaques) e temas dos destaques (política, economia, saúde,
cultura, etc). Com isto, puderam apontar que as diferenças principais apontam
para a expressão scripto-visual (mancha hierarquizada, com espaços brancos e diferentes
fontes, nalguns jornais diários e semanários) e para o tipo de linguagem utilizada
na descrição de uma notícia, assim como a imagem que a ilustra. Em modo de
conclusão, os autores constatam que jornais com maior coerência, conteúdos scripto-visuais
com maior poder de reflexão sob os leitores e valores de cidadania e ética
presentes, são jornais que se destinam a um público alvo com maior literacia. Em
oposição, notícias que se focam no vulgar e pessoal e sem margem para
discussão, destinam-se a um público-alvo com menor literacia.
O
projeto que escolhemos teve origem numa atividade dinamizada por uma dupla de
alunas, no âmbito da U.C. prática pedagógica supervisionada, em que foi utilizada
uma personagem virtual para orientar a aula e as tarefas sugeridas à turma
(turma de 4º ano de uma escola TEIP). A reação dos alunos perante a personagem
foi tão positiva que a dupla decidiu introduzir esta ferramenta aos alunos. Denominaram
o projeto de “Vokimania” pois consiste na criação de uma personagem virtual/avatar
a partir da ferramenta informática “Voki”. As personagens criadas pelos alunos,
tinham como objetivo abordar temas de âmbito curricular (Estudo do Meio,
Matemática e/ou Português) transmitindo conhecimentos adquiridos nas aulas,
aprofundando outros e apresentando dúvidas para mais tarde serem discutidas na
turma.
Este
projeto relaciona a introdução de novas tecnologias em sala de aula e como
estas podem influenciar a cidadania. A formação de cidadãos críticos e
conscientes é realizada na escola. Esta deve ter variedade nas formas de ensino
e aprendizagem, de forma a cativar e motivar os alunos para os conteúdos,
exigindo uma reflexão sobre isso. Existem desafios diários na escola tais como
a exigência, por parte dos alunos, de novas formas de aprendizagem, a utilização
de novas tecnologias como ferramenta de aproximação de professor-aluno, o
interesse que os alunos ganham pelos conteúdos escolares com essas tecnologias
assim como o facto de o aluno passar a ser mais ativo e participativo. Verificámos
que a inserção de uma simples ferramenta informática, pode mudar o processo de
envolvimento, interesse e colaboração dos alunos na sala de aula.
Bibliografia
(http://www.editorarealize.com.br/revistas/fiped/trabalhos/Trabalho_Comunicacao_oral_idinscrito_187_92ebb0654aea29a5c9e7114f9fc1aadb.pdf)
, consultado a 21 de outubro de 2017
https://www.pordata.pt/Portugal/Taxa+de+analfabetismo+segundo+os+Censos+total+e+por+sexo-2517
, consultado a 23 de outubro de 2017
BOTELHO, Fernanda (2005).
“Textos e literacias…”
PEREIRA, Sara, TOSCANO,
Margarida (2015). “Literacia, Media e Cidadania – Livro de Actas do 3º
Congresso”
LOPES, Paula Cristina (2015).
“Literacia Mediática e Cidadania – uma relação garantida?”
LOPES, Rui; RODRIGUES, Fernando; GRAÇA, Marta; MARQUES, A. Pedro (2013).” Significados
Scripto-Visuais nos jornais e implicações didáticas”
U.C.: Língua Portuguesa e Tecnologias de
Informação e Comunicação
Docente: Tiago Falcoeiras
Discentes: Inês Nunes e Joana Reimão (Turma
A)
Bibliografia em falta:
ResponderEliminarhttps://s3.amazonaws.com/academia.edu.documents/39324556/ATAS_LIVRO_Coloquio_2015_vf_2_1.pdf?AWSAccessKeyId=AKIAIWOWYYGZ2Y53UL3A&Expires=1508513656&Signature=OL7%2B%2B2MY%2BFWGBe6mrxVun%2BhFNng%3D&response-content-disposition=inline%3B%20filename%3DReflexiones_acerca_del_perfil_docente_an.pdf#page=156 , consultado a 20 de outubro de 2017